quarta-feira, janeiro 31, 2007

programa TRUE > semana da casa nova, trabalho novo

pois entao pegamos o onibus para Brigantine, ou como preferimos abrasileirar, Braganc,a! e' uma cidade residencial, ao melhor estilo Simcity. todas bem claras, com seus gramados e tudo numa perfeita ordem. um terc,o delas te^m uma lancha na frente, noutro terc,o a lancha esta' na garagem. tudo parece de mentira, quase como se as proprias paredes fossem cenario de mega-producoes cinematograficas. Brigantine e' lindo.

mesmo so' suportando 9, e tendo dito que eramos 6, fechamos com 12 dentro da casa. uma galera que veio a se tornar familia pelo periodo de quase dois meses e meio, e que acredito ter tido uma baita sorte de ter me reunido com. que fique aqui um 'obrigado por tudo' ao Gustavo, Thiago, Karen, Marcelo, Daniel, Debora Sol, Rodrigo 'Sao Fidelis', Geisa, Walter, Luane e Rafael.

e o sistema de onibus nao pode deixar de ser descrito: ja' e' sabido que aqui ha' horarios predefinidos para a saida dos mesmos, e isso acontece porque nao ha' transito. mas as diferencas vao muito alem. os proprios motoristas nao tem como se comparar. sao educados, sabidos e severos. nao o deixam de modo algum comer, beber, fumar ou mesmo falar alto durante o trajeto. ha' portas grandes e todo um sistema motorizado para levantar cadeiras de rodas, assim como o onibus se "ajoelha" para os passageiros mais idosos entrarem e sairem.

se voce estiver de bicicleta nao e' um problema, 'a frente do onibus ha' suporte para ate' duas delas, onde vc mesmo as prende. o motorista nao recebe dinheiro, voce deve depositar o valor de $1,75 numa maquina que nao da' troco. os onibus sao revestidos, por dentro e por fora, por anuncios. preferivelmente do McDonald's (Viva ao Dollar menu) e de instituicoes de caridade, ao estilo 'doe seu carro'.

para contornar a falta de troco, sempre nos viramos com os passes. ha os individuais e os mensais, ambos podem ser comprados, com troco, no terminal. e este ultimo e' so' mostrar ao motorista para garantir a carona. voce o compra por uma quantidade de zonas desejadas. no's precisamos percorrer duas do casino ate' em casa, entao quando vamos ao Walmart, que fica a 3 zonas do terminal, mostramos o passe e pagamos a diferenc,a. e como se nao bastasse, o motorista ainda tem em seu poder um sistema de gravacao e reproducao de voz onde consegue tocar o que dizemos para mostrar o quao alto falamos. e, se, alguem cruzar 'a frente do onibus, nao ha' problema: aqui eles possuem buzinas. ;)

muito texto dedicado a onibus. mas vale, gastamos quase duas horas diarias dentro destes. o sistema de taxis deixarei para o proximo post. =P

foi mais ou menos nesta epoca, ja estando ha dois ou tres dias com moradia estabilizada, que comecamos a trabalhar. eu e Thiago, amigo tambem seguranca que mais dividiu da experiencia a experiencia trabalhistica comigo, viemos logo a aprender que eramos, na verdade, figurantes de seguranca. as duas primeiras semanas nao poderiamos pisar no chao do casino, isto porque nossa licenca do Casino Control Comission ainda nao teria saido. para contornar isto os casinos nos colocam como segurancas do hotel, supervisando as areas fora do chao dos jogos.

tiramos nossas medidas para o ajuste dos uniformes, que parecem com os de policiais. e logo comecamos ao lado de segurancas treinadores durante uma semana, incrivelmente sem nenhum treinamento medico ou defensivo, por exemplo. os segurancas sao normalmente muito legais e adoram ouvir que somos estudantes universitarios brasileiros passando um tempo fora. de inicio os radios nao nos dizem nada, e' super dificil entender o que dizem. depois acostuma. e temos, ou ao menos devemos, aprender seus codicos: 10-4 e' OK, 10-10 e' radio test, 10-25 e' cliente bebado e 10-35 e' prostituta na area, por exemplo. haviam uns 40 destes.

nao demorou pouco para um dos segurancas me dizer um "vai se fiuder". aprendido de outro brasileiro, obvio. como segurancas nao temos que salvar ninguem da forca. o maximo que e' de nosso dever e' chamar no radio pelo supervisor. e nosso treinamento em agrado aos clientes sim e' super exigido. o tal falado Spotlight, onde devemos checar ao cliente antes que este chegue a no's, e sempre sorrindo e com atitude positiva tirar sua duvida, usando seu nome e se apresentando, oferecer outro servico do cassino e despedir-se com um good-luck e agradece-lo pelo business.

nao e' como devemos agir toooodas as vezes, mas eles nao achariam ruim. este Spotlight deve ser visto pelo supervisor, que o analisa e preenche uma ficha indicando quantos pontos voce conseguiu. devemos chegar ao menos a 100, num total de 150 pontos que o recompensa monetariamente se alcancado.

neste tempo em que ja trabalhei, teve poucas confusoes pelo casino. ha uma briga ou outra, bastante gente bebada (as bebidas sao gratuitas para quem esta' jogando), muito sem-teto se esquentando no casino, um ou dois furtos e por ai' vai. ate' entao nao vi uma arma, por exemplo.

para eles eu sou o Officer Fernandes, ou Fernandez na maioria erronea das vezes. depois de nossa licenca chegar, trocamos nossos uniformes para uns que agora parecem de xerife, e iniciamos um novo treinamento, que agora exigia levar e trazer fichas das mesas, acompanhar a retirada de dinheiro das slot machines, das mesas e dos caixas, rondar as determinadas zonas, servir de escorte e algumas outras incluindo a tao almejada entrega de jackpots. a esta altura ja estavamos craques em entender o radio.

nesta epoca fiquei sabendo que infelizmente meu irmao nao viria a trabalhar antes do ano novo. foi uma triste noticia para a familia. agora com a casa paga, com o passe do onibus de dezembro ganho do Officer Hamilton e cafeteria aberta aos funcionarios, nao havia mais a ncessidade de se gastar dinheiro. o que veio a ser toda uma arte a ser aprendida por todos no's. uma dentre as tantas que viriamos a ter de aprender dentro deste grande teste de resistencias. 10-4?

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sábado, janeiro 13, 2007

vegetarianismo > dialogo tradicional

"vegetariano? serio? entao vc nao come carne? nem peixe? tah doido, eu nao consigo viver sem carne. eh muito bom! mas por que voce faz isso? a carne eh responsavel pela evolucao do Homem. somos seres onivoros! voce vai ficar com falta de proteina. voce nao tem pena dos vegetais? sao seres vivos tambem, oras. ha quanto tempo voce eh vegetariano? dois meses? soh? ah... achei que fosse ha anos...."

se e' vegetariano esta' entendendo exatamente do que estou falando.
se nao, procure por 'Earthlings' no YouTube.
GO VEGAN!

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quinta-feira, janeiro 11, 2007

programa TRUE > semana Burgundy

apos todas horas de viagem, finalmente estavamos em nossa primeira morada em Atlantic City: Motel Burgundy, com os quartos mais fuleiros da cidade. os donos eram uns arabes, que gostaram do negocio de encher a casa com 50+ brasileiros em baixa temporada, mas que nao estavam tao preparados para nos aturar.

cada quarto tinha duas camas de casal, e chegamos a alugar uns 10 quartos, provavelmente. Dividi minhas noites com mais tres cuecas: Rodrigo 'Sao Fidelis', Thiago e Leandro. enquanto as meninas que vieram conosco, Karen, Debora e Luane, se juntaram num quarto proximo com o Daniel. Este ultimo ao inicio de nossa primeira noite no motel bateu em nossa porta com uma pessima noticia: seus bem guardados U$700 haviam acabado de sumir de dentro da meia do fundo de sua mala!

o tal do arabe pouco se lixou ao que fomos reportar o furto. mandou ligar para a policia, e foi o que Daniel o fez. os policiais chegaram em poucos minutos, com caras duras e tranquilas. - "take it easy, young man..." quando Daniel explicava agitado.

na mesma noite, na verdade um pouco mais cedo, havia saido para comer uma pizza no nosso querido e adotado Popa Pizza - uma pizzaria fajuta que oferece pizzas e massas a precos que podiamos pagar, e que ficamos como melhores clientes por toda a semana - e quando voltei com Sao Fidelis e Thiago, avistamos uma menina caminhando no corredor em direcao a nossa porta. "onde voce estah indo?" perguntamos. e quando ela disse "tah todo mundo aqui" nossos olhos se arregalaram. havia simplesmente umas 20+ cabecas brasileiras dividindo o espaco de nosso quarto, sem nem mesmo a presenca de Leandro, que abriu a festa.

para quem me conhece, todo meu anseio pela ordem e organizacao nao e' nenhuma novidade, mas para aquele pessoal desconhecido, seria algo que conheceriam em alguns minutos. ficamos todos papeando entusiasmados. finalmente nos estabelecemos nos estadosunidos! ja haviamos ligado contando as boas novas aos papais e agora era a hora de conhecer esta nova familia e conversar e beber e... e logo me passou pela cabeca que nao estavamos mais no mundo faroeste brasileiro. estavamos na terra em que e' proibido bebidas alcoolicas na rua, ou menores de 21 anos em casinos ou em boites - apesar de maiores de 18 poderem estrear filmes pornograficos.

senti-me responsavel a infelizmente acabar com a barulheira, que imaginei que poderia nos arrumar problemas logo no primeiro dia. o arabe nao demorou muito a vir bater em nossa porta. "this is America!" - disse como se tivesse nascido aqui. e parece que fui o unico a levar a serio. numa subita onda de adrenalina, levantei no meio do quarto e falei a todos: " galera, acho que e' melhor a gente 'dispersar'".

os olhos estavam um pouco assustados. mas ate' eu estava. dane-se, fiz-o para nosso bem. e ate' que para minha surpresa deu certo. e o 'dispersar' se tornou uma palavra a ser ouvida diversas outras vezes na viagem. adorei.

o restante dos dias nao foram menos festeiros. o pessoal foi se conhecendo e as festas aconteciam cada vez num quarto. surgiam os boatos dos policiais chegando e cada um corria para seu aposento!

Atlantic City e' uma cidade feita de seus casinos. e' a Las Vegas do leste. aqui tem mais de 10 gigantescos casinos. a Boardwalk e' como o calcadao de Copacabana, mas aqui, ao inverso, o bonito e' a arquitetura e nao a beleza natural. no Pier Shops, o shopping-cais que sai do casino Caesars, marcamos uma de nossas paradas obrigatorias: a Apple Store, com toda sua beleza branca e computadores de ultima geracao que alegravam a vida de brasileiros sem facil acesso a internet.

antes da chegada dos 'paychecks' a economia foi extrema. comecando pelos nossos cafes da manha, que se resumiam num cereal de mel estranhasso que compramos numa promocao pague 1 leve 2 muito comum por aqui. e enquanto nos contentavamos com pouca comida e muito Popa Pizza, nos perguntavamos quando finalmente iriamos comecar a trabalhar. e demorou.

obviamente teve toda uma burocracia, ler papelada, assinar papelada e tal. mas as duas coisas que de longe mais enfureceram o pessoal foram o teste anti-drogas e a taxa da Casino Comission a qual nao haviamos sido avisados. para os segurancas o valor foi de $350! concordo contigo que foi um absurdo. e acabou deixando muita gente com menos grana do que pretendia, mas era algo irrevogavel.

o exame de drogas ja era bem sabido, e posso dizer que o pessoal se preparou. diversos sabiam ate' ha' quantos dias estavam sem um bom tapa. de toda os 70+ brasileiros que vieram, apenas um nao passou por causa de uma medicacao que vinha tomando, e portanto nao foi desclassificado, e outros dois, que nao conseguiram vencer o vicio e apelaram para uma tatica um tanto inusitada.

o exame nao era de sangue, e sim de cabelo. e pesquisando na internet, esses dois descobriram um tal produto que disfarcava as substancias toxicas que se mantinham no mesmo. foram a Nova York o comprar e lavaram suas cabecas freneticamente com o mesmo. a este ponto seus apelidos ja eram Shampoo e Condicionador.

uma pena. nao adiantou nada. um deles voltou a NY, para ficar por la'. acho que arrumou um novo emprego.

enquanto nao estavamos empregados, estavamos nos divertindo. e nossa primeira saida em grupo foi um tanto congestionada. eramos uns 50 na porta de um irish pub, tentando decidir como colocar para dentro os menores de 21 anos, que, acredite, aqui nao menores de idade. houve uma troca de passaportes e depois de muita sorte do seguranca nao checar as fotos, estavamos todos dentro. mas foi uma bagunca e novamenet, o povo dispersou. agora, serio, gente, vamos fazer a maioridade logo, ne? concordemos que e' muito melhor. =)

deixe-me frizar este problema um pouco mais: o pessoal menor de 21 anos nao pode entrar na area do casino, nem beber alcool, e nem entrar em boites, o que foi um grande problema para diversos dos brasileiros. agora, filmes pornos tudo bem, a idade e' 18.

tendo nosso teto provisorio e sempre que possivel adiantando nossa demorada empregacao, nosso proximo passo era fechar o pessoal que dividiria uma casa (e aluga'-la). o pessoal ja' estava praticamente definido. haviamos nos unido a outro grupo de adoraveis gordinhos: Gustavo, Marcelo, Raphael e Reinaldo, este ultimo que na verdade nao e' gordinho. ele tambem acabou preferindo deixar de lado o pessoal mais legal de Atlantic City para ir morar mais perto dos casinos, entao o trocamos pelo Walter. e com Geisa tambem em campo, so' faltava outro Daniel pousar para o pessoal da casa estar com seu time formado. e que time.

descolar a casa foi por um tempo tarefa do Fidelense. nao posso dizer que ele se esforcou pouco, mas sempre que o perguntavamos sobre esta a resposta era a mesma: "cara, esta' tudo certo. mas nada resolvido." se tornou o refrao diario da casa ate' fatalmente resolvermos.

nossa casa ate' pode ser longe, demora 40 minutos de meu casino, o mais longe. mas ela e' otima, super aconchegante. parece ate' uma casa de boneca, toda decorada com tematica praiana em todos seus 4 quartos. e nao e' por nada, mas nosso pessoal e' maneiro pra caramba. e acabou que, por azar, Reinaldo demorou mais de um mes para comecar a trabalhar, como manobrista, por causa de seu 'Social Security Number' (o CPF dos estadunidenses).

foi nesta epoca que comecei a ter as primeiras faltas de minha familia, que me afinetavam de vez enquando. me via como talvez o mais responsavel do grupo. alguns talvez chamem isso de chato, mas certas vezes acho que nasci sem este espirito irresponsavel. crianca serei sempre. mas hoje estou vivendo um resultado de minhas proprias escolhas, tendo que melhor do que nunca controlar o dinheiro em minhas maos, e o que comer, e onde morar, com quem, e a que horas acordar, lavar as roupas, lavar os pratos e por ai' vai. claro que nada esta' sendo visto como uma obrigacao, e sim como uma aventura. me preparei para isto. todas tarefas, estranhamente, tenho achado super interessantes. lavar roupa pra mim foi algo magico!

e com nossa casa formada, decidida e habitada, enterramos de vez nossos pe's por estas terras. segure firme, pois o navio desancorou!

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quinta-feira, janeiro 04, 2007

programa TRUE > viagem de ida

Salve a todos

o frio na barriga e' obvio: alem da certeza de passar 3 meses longe de minha familia e amigos, estava prestes a enfrentar o medo de voar e de toda esta vida nova. nao poderia estar mais apreensivo.

no embarque lotado do aeroporto, tive o inenarravel prazer de ter grande parte de minha familia reunida. com maior atencao para o fato de meu avo e minha avo' terem ido pessoalmente se despedirem de mim. ^^

acho que toda a despedida nao foi tao calorosa quanto eu esperava. por causa de tudo que se passava em minha cabeca e em grande parte segurando o choro para nao passar a vergonha de chorar. foi por pouco mesmo. ao que so' ficou meu pai, minha mae e meu irmao, foi um momento especial para mim - assim como todos momentos que passo com meus pais juntos. sao sempre especiais. dei um abraco nos 3. sinjelo mas foi.

dali pra dentro comecou a aventura. com todo aquele ar de "nao estou acreditando que isto esta' finalmente acontecendo". eu cheguei a entrar em contato com um pessoal conhecido nas entrevistas e na World Study, mas com meu amigo Theo fora do gramado, eu estava praticamente viajando sozinho. ateh comecar a conhecer melhor o pessoal no proprio aviao.

quem segurou minha onda quando os motores se esquentaram foi a Debora Sol, que tive a sorte de sentar ao meu lado. eu estava na janela, conversando e contando as melhores piadinhas de minha vida para disfarcar todo meu desespero. avisei a ela. o papo fluiu tao bem que ateh posso dizer que a decolagem foi indolor. tipo papo de dentista.

uma das coisas mais legais da viagem foi ter notado quando passamos pela America Central, vendo 'a noite diversas ilhas iluminadas num explendido desenho. acho que esta paisagem isoladamente ja' valeria a viagem. a foto dela, por outro lado, ficou uma merda.

ta' que as tremedeiras sao desconfortantes, mas pra quem acha que todo aviao que decola cai, elas nem eram tao piores do que a comida.

na saida em Miami, no juntamos a outros parceiros de viagem, que estavam perdidos pelos outros assentos e que vieram, e ainda o vem, a se tornar grandes parceiros: Rodrigo 'Sao Fidelis', Tiago, Luane e Karen. todos ja estavam no planejamento de dividirmos uma casa, apesar de nem todos se conhecerem. ainda em chao conhecemos outros tantos com quem dividiriamos Atlantic City, como Daniel e Leandro, por exemplo.

tivemos a sorte de fazer ponte por Nova York e o voo para la foi ainda mais tranquilo, ja que nao estava mais com medo. vendo toda aquela gente que viaja constantemente me faz pensar em todos que vivem disto, viajando ha 10, 20 anos. me tranquiliza, amenizando a imagem dos avioes destrocados que normalmente vemos na tv e nos jornais.

chegando a Nova York tivemos de encarar nossa primeira decisao como um grupo: viriamos para a Atlantic City por onibus ou van??!! impressionantemente, demoramos ao menos uma meia hora para nos decidirmos, e o vencedor foi o busao. entao saimos, entrando em primeiro contato com o clima dos estados unidos: frio, mas absolutamente mais quente do que o frio que meu pai me colocou na cabeca em todas as preocupacoes comentadas. sei que se importa, pai. ^^
do aeroporto fomos 'a rodoviaria Greyhound, e de la finalmente conseguimos pegar um onibus para Atlantic City, apos toda a confusao da unica vendedora de bilhetes ter se emburrado com uma compradora a nossa frente e ter largado a cabine sem explicacoes!

uma das coisas que mais impressionaram na paisagem, por incrivel que possa lhe parecer, foram as arvores secas, sem uma folha sequer. incrivel, batendo ateh um pingo de pena. o ceu tambem nao poderia ser mais sem graca. assistindo desatendo, nos parecia uma paisagem sem cores. mas sem tristezas: estavamos em Nova York! ^^

passar de onibus pelas ruas movimentadas foi obviamente muito mais surpreendente. toda aquelas pessoas bem vestidas cruzando os sinais enquanto vestem rostos de gente importante. os predios sao gigantescos e a cada esquina tinha algo que nos impressionava. tudo se parece com o que vemos nos filmes - obviamente - mas e' interessante demais ver ao vivo.

duas horas depois estavamos chegando a estacao de onibus do Bally's de Atlantic City, casino o qual fui contratado. la eles nos retornam $22 dos $31 que gastamos na viagem soh por termos vindo ao casino. eh uma especie de "venha jogar conosco" que nos valeu a pena^^

entao pegamos um taxi para o Comfort Inn. chegando la conhecemos o Alexandre, nosso 'ReSponsor', e seu amigo polaca Sebastian. ambos trabalham para o ICEO e vieram nos encontrar, milagrosamente, para ajudar na hospedagem: eles haviam descolado um lugar para todos ficarem: um tal de Motel Burgundy. seguimos para la', mas este ja eh todo um novo capitulo...

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quarta-feira, janeiro 03, 2007

programa TRUE > preparativos

ola'

para os mais desavisados, rapidamente: eu e meu irmao em agosto.2006 nos inscrevemos num programa de intercambio cultural para virmos trabalhar nos EUA. ele foi aceito para trabalhar em como um "quebra-galho" geral, que eu ainda n~ao saquei suas funcoes exatamente, no casino Mohegan Sun de Connecticut, e eu vim para Atlantic City, trabalhar como security officer no Bally's.

por que diabos fariamos isso? alem de ser a primeira pergunta das entrevistas de selecao, tambem eh uma boa pergunta. e minhas respostas nunca foram muito diferentes: aprender a viver sozinhos, longe dos familiares, numa cultura diferente, fazendo algo completamente diferente do que fazemos em terras brasileiras, ganhar muita grana, comprar muita besteira, conhecer o mundo dos casinos, sempre curtindo o maximo possivel.

os preparativos da viagem nem deram tempo de serem apreciados, tido que faculdade em fim de periodo na mesma panela de um estagio pegando fogo foram o suficiente para acabar com qualquer tempo de reflexao. basicamente, aprontei toda minha mala um dia antes da viagem, e, na mesma segunda feira em que o aviao decolou, fui `a PUC entregar trabalho final, e blablabla.

o negocio foi que a data de embarque foi um divisor de 'aguas de minhas tarefas. por exemplo: o primeiro siso que extrai' foi em 2002. desde entao venho evitando passar por todo o sofrimento e esperando que um dia fosse simplesmente acordar sem mais desses juizos. com medo de que pudesse vir a ter problemas com estes em terras internacionais, decidi que por vez iria dispachar os inquilinos de minha boca. e assim o foi. as cirurgias ateh que foram tranquilas, doeu mas passou - assim como tudo passa, nao e' mesmo, vo'? e, ah!, tambem tirei os pontos dos dois ultimos na mesma segunda feira.

ao me inscrever neste programa, seguindo os passos de meu sabio irmao, nao o fiz sozinho. me inscrevi junto a meu amigo de faculdade Theo. ele ja tinha vindo num destes programas e esperava ansioso para repetir a dose. acontece que como o Roberto, ele tambem teve que pular fora por razoes pessoais. com isso eu me vi numa situacao um pouco inusitada, pois quando fiquei sabendo de sua possibilidade de nao poder viajar, eu tive que decidir se viria sozinho ou nao. foi neste instante que joguei a muleta fora, e coloquei na cabeca que nao estava me inscrevendo por causa deles ou para curtir com eles, mas era algo a se fazer por mim mesmo! foi um momento super importante e que preparou minha cabeca para o que estava a vir. obrigado ao acaso.

junto ao medo de extrair os sisos, tive que enfrentar mais um que nao o fazia ha quase 10 anos: o medo de avioes. pode parecer besteira a alguns, mas como um troco daqueles sai do ar e viaja milhares de kilometros, por entre as nuvens, nao entra em minha cabeca. e para os mais proximos, ja nao eh novidade que o que nao controlo nao me agrada. cheguei a rapidamente considerar deixar de viajar por causa disto, mas pensando nas coisas boas via que seria um medo que tinha que ser combatido. e afinal, se morresse, nao seria um mau momento.

para ser um seguranca de casino nao eh necessario muita coisa. tido que fui escolhido, ja imagine o padrao de forca requerente... mas uma das exigencias eh se ter cabelo curto. pessima noticia. mas ok, fazer o que ne? meu cabelo nao eh bom mesmo. ainda acho que minha mae sofreu mais do que eu quando me viu apos o cabelereiro sair la de casa, tres dias antes do embarque. acho que meu pai esperancosamente esperava por este dia. bom, cortei. e foi sem pensar muito. tinha que ser feito, e dentre todas as mudancas, diria que nem foi tao chocante quando imaginava. soh eh engracado pentear o vento e exagerar no shampoo por um tempo. mas ate' que estou curtindo este novo visual.

para guardar na memoria esse momento de desuniao e fortalecimento das amizades, eu e Hermann marcamos uma despedida no Leo's Pub, um lugar aconchegante e barato que tem perto de nosso lar. foram tantos e fabulosos amigos que acho que mal deu para trocar muito papo com qualquer um. o importante foi a presenca de todos, mantendo a certeza que posso contar com eles para muitas coisas! valeu a todos voces, galera!

no meio de tantos deadlines, preparacoes burocraticas, psicologicas, materiais e planejamentos, a coisa se embolou tanto, que interrompia meu sono. foi uma grande apreensao de largar a familia e de fazer a prova final se estou pronto a me virar sozinho. foi o momento de pular do ninho e esperar para ver se as assas bateriam.

e' uma nova vida, por um curto tempo, mas que dividira' toda minha tragetoria. e para alguem que ja sonhou muito em morrer, acredito que era a isso que no fundo me referia. morte aos nossos habitos, e que o novo venha quente, como um bom queijo a ser encontrado a cada instante. viajei, com a cabeca pronta a encontrar o inesperado. sabendo que sai' preparado e em busca da aventura. obrigado por tudo, familia linda e grandes amigos.

crescam sempre!

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sexta-feira, dezembro 08, 2006

primeiro post a gente nunca esquece

ok. blog criado.

parece um filho parido, onde não sabemos no que vai dar. apenas esperamos que não morra cedo. =/
meus dias nunca foram tão ocupados. faculdade com estágio com viagem para os EUA complicaram minhas saídas e diversões à parte. ainda por cima consegui tirar 3 sisos e zerar Oblivion ^^

mas é a viagem que mais tenho pensado mesmo. primeira vez viajando sozinho, morando longe da mãe... e chego ao meu objetivo deste blog: quero um espaço online para servir de caderno de viagens.

meus primeiros posts serão sobre esta volta em minha vida. sobre este suave desertar de maturidade. espero guardá-lo num canto do cyberespaço para um dia poder lembrar como está difícil tirar os pontos de minha cirurgia, como é o momento antes de se cortar 20 dedos de cabelo, ou antes de embarcar com pessoas quase desconhecidas para passar 3 meses num ambiente completamente diferente!

espero muitas coisas mesmo. minha cabeça está confusa. estes últimos dias estão muito remexidos. e com a cabeça confusa o texto sái confuso. sem problemas. mas será que chegando de viagem estarei mais relaxado? será que verei os problemas como desafios ou será um saco entediante ter que finalmente lavar minhas roupas, e pensar no que irei jantar?

é um amadurecimento que vim evitando desde que minha mãe me protege em suas asas... este é um momento como o dos passarinhos, em que não pulam do ninho para voarem mesmo já estando prontos. tem que haver um empurrão. são jogados e voam. ou caem. mas os pássaros sabem quando é hora. minha mãe sabe mas não quer largar os filhos. normal, eu também a amo. mas é nosso despertar. e iremos crescer o que não crescemos em 5 anos.

ou será que será apenas um saco? só arriscando para ver. e acho que só de me colocar nesta situação já é um amadurecimento em si. que a experiência dure, que não morra cedo.