programa TRUE > semana Burgundy
apos todas horas de viagem, finalmente estavamos em nossa primeira morada em Atlantic City: Motel Burgundy, com os quartos mais fuleiros da cidade. os donos eram uns arabes, que gostaram do negocio de encher a casa com 50+ brasileiros em baixa temporada, mas que nao estavam tao preparados para nos aturar.
cada quarto tinha duas camas de casal, e chegamos a alugar uns 10 quartos, provavelmente. Dividi minhas noites com mais tres cuecas: Rodrigo 'Sao Fidelis', Thiago e Leandro. enquanto as meninas que vieram conosco, Karen, Debora e Luane, se juntaram num quarto proximo com o Daniel. Este ultimo ao inicio de nossa primeira noite no motel bateu em nossa porta com uma pessima noticia: seus bem guardados U$700 haviam acabado de sumir de dentro da meia do fundo de sua mala!
o tal do arabe pouco se lixou ao que fomos reportar o furto. mandou ligar para a policia, e foi o que Daniel o fez. os policiais chegaram em poucos minutos, com caras duras e tranquilas. - "take it easy, young man..." quando Daniel explicava agitado.
na mesma noite, na verdade um pouco mais cedo, havia saido para comer uma pizza no nosso querido e adotado Popa Pizza - uma pizzaria fajuta que oferece pizzas e massas a precos que podiamos pagar, e que ficamos como melhores clientes por toda a semana - e quando voltei com Sao Fidelis e Thiago, avistamos uma menina caminhando no corredor em direcao a nossa porta. "onde voce estah indo?" perguntamos. e quando ela disse "tah todo mundo aqui" nossos olhos se arregalaram. havia simplesmente umas 20+ cabecas brasileiras dividindo o espaco de nosso quarto, sem nem mesmo a presenca de Leandro, que abriu a festa.
para quem me conhece, todo meu anseio pela ordem e organizacao nao e' nenhuma novidade, mas para aquele pessoal desconhecido, seria algo que conheceriam em alguns minutos. ficamos todos papeando entusiasmados. finalmente nos estabelecemos nos estadosunidos! ja haviamos ligado contando as boas novas aos papais e agora era a hora de conhecer esta nova familia e conversar e beber e... e logo me passou pela cabeca que nao estavamos mais no mundo faroeste brasileiro. estavamos na terra em que e' proibido bebidas alcoolicas na rua, ou menores de 21 anos em casinos ou em boites - apesar de maiores de 18 poderem estrear filmes pornograficos.
senti-me responsavel a infelizmente acabar com a barulheira, que imaginei que poderia nos arrumar problemas logo no primeiro dia. o arabe nao demorou muito a vir bater em nossa porta. "this is America!" - disse como se tivesse nascido aqui. e parece que fui o unico a levar a serio. numa subita onda de adrenalina, levantei no meio do quarto e falei a todos: " galera, acho que e' melhor a gente 'dispersar'".
os olhos estavam um pouco assustados. mas ate' eu estava. dane-se, fiz-o para nosso bem. e ate' que para minha surpresa deu certo. e o 'dispersar' se tornou uma palavra a ser ouvida diversas outras vezes na viagem. adorei.
o restante dos dias nao foram menos festeiros. o pessoal foi se conhecendo e as festas aconteciam cada vez num quarto. surgiam os boatos dos policiais chegando e cada um corria para seu aposento!
Atlantic City e' uma cidade feita de seus casinos. e' a Las Vegas do leste. aqui tem mais de 10 gigantescos casinos. a Boardwalk e' como o calcadao de Copacabana, mas aqui, ao inverso, o bonito e' a arquitetura e nao a beleza natural. no Pier Shops, o shopping-cais que sai do casino Caesars, marcamos uma de nossas paradas obrigatorias: a Apple Store, com toda sua beleza branca e computadores de ultima geracao que alegravam a vida de brasileiros sem facil acesso a internet.
antes da chegada dos 'paychecks' a economia foi extrema. comecando pelos nossos cafes da manha, que se resumiam num cereal de mel estranhasso que compramos numa promocao pague 1 leve 2 muito comum por aqui. e enquanto nos contentavamos com pouca comida e muito Popa Pizza, nos perguntavamos quando finalmente iriamos comecar a trabalhar. e demorou.
obviamente teve toda uma burocracia, ler papelada, assinar papelada e tal. mas as duas coisas que de longe mais enfureceram o pessoal foram o teste anti-drogas e a taxa da Casino Comission a qual nao haviamos sido avisados. para os segurancas o valor foi de $350! concordo contigo que foi um absurdo. e acabou deixando muita gente com menos grana do que pretendia, mas era algo irrevogavel.
o exame de drogas ja era bem sabido, e posso dizer que o pessoal se preparou. diversos sabiam ate' ha' quantos dias estavam sem um bom tapa. de toda os 70+ brasileiros que vieram, apenas um nao passou por causa de uma medicacao que vinha tomando, e portanto nao foi desclassificado, e outros dois, que nao conseguiram vencer o vicio e apelaram para uma tatica um tanto inusitada.
o exame nao era de sangue, e sim de cabelo. e pesquisando na internet, esses dois descobriram um tal produto que disfarcava as substancias toxicas que se mantinham no mesmo. foram a Nova York o comprar e lavaram suas cabecas freneticamente com o mesmo. a este ponto seus apelidos ja eram Shampoo e Condicionador.
uma pena. nao adiantou nada. um deles voltou a NY, para ficar por la'. acho que arrumou um novo emprego.
enquanto nao estavamos empregados, estavamos nos divertindo. e nossa primeira saida em grupo foi um tanto congestionada. eramos uns 50 na porta de um irish pub, tentando decidir como colocar para dentro os menores de 21 anos, que, acredite, aqui nao menores de idade. houve uma troca de passaportes e depois de muita sorte do seguranca nao checar as fotos, estavamos todos dentro. mas foi uma bagunca e novamenet, o povo dispersou. agora, serio, gente, vamos fazer a maioridade logo, ne? concordemos que e' muito melhor. =)
deixe-me frizar este problema um pouco mais: o pessoal menor de 21 anos nao pode entrar na area do casino, nem beber alcool, e nem entrar em boites, o que foi um grande problema para diversos dos brasileiros. agora, filmes pornos tudo bem, a idade e' 18.
tendo nosso teto provisorio e sempre que possivel adiantando nossa demorada empregacao, nosso proximo passo era fechar o pessoal que dividiria uma casa (e aluga'-la). o pessoal ja' estava praticamente definido. haviamos nos unido a outro grupo de adoraveis gordinhos: Gustavo, Marcelo, Raphael e Reinaldo, este ultimo que na verdade nao e' gordinho. ele tambem acabou preferindo deixar de lado o pessoal mais legal de Atlantic City para ir morar mais perto dos casinos, entao o trocamos pelo Walter. e com Geisa tambem em campo, so' faltava outro Daniel pousar para o pessoal da casa estar com seu time formado. e que time.
descolar a casa foi por um tempo tarefa do Fidelense. nao posso dizer que ele se esforcou pouco, mas sempre que o perguntavamos sobre esta a resposta era a mesma: "cara, esta' tudo certo. mas nada resolvido." se tornou o refrao diario da casa ate' fatalmente resolvermos.
nossa casa ate' pode ser longe, demora 40 minutos de meu casino, o mais longe. mas ela e' otima, super aconchegante. parece ate' uma casa de boneca, toda decorada com tematica praiana em todos seus 4 quartos. e nao e' por nada, mas nosso pessoal e' maneiro pra caramba. e acabou que, por azar, Reinaldo demorou mais de um mes para comecar a trabalhar, como manobrista, por causa de seu 'Social Security Number' (o CPF dos estadunidenses).
foi nesta epoca que comecei a ter as primeiras faltas de minha familia, que me afinetavam de vez enquando. me via como talvez o mais responsavel do grupo. alguns talvez chamem isso de chato, mas certas vezes acho que nasci sem este espirito irresponsavel. crianca serei sempre. mas hoje estou vivendo um resultado de minhas proprias escolhas, tendo que melhor do que nunca controlar o dinheiro em minhas maos, e o que comer, e onde morar, com quem, e a que horas acordar, lavar as roupas, lavar os pratos e por ai' vai. claro que nada esta' sendo visto como uma obrigacao, e sim como uma aventura. me preparei para isto. todas tarefas, estranhamente, tenho achado super interessantes. lavar roupa pra mim foi algo magico!
e com nossa casa formada, decidida e habitada, enterramos de vez nossos pe's por estas terras. segure firme, pois o navio desancorou!
cada quarto tinha duas camas de casal, e chegamos a alugar uns 10 quartos, provavelmente. Dividi minhas noites com mais tres cuecas: Rodrigo 'Sao Fidelis', Thiago e Leandro. enquanto as meninas que vieram conosco, Karen, Debora e Luane, se juntaram num quarto proximo com o Daniel. Este ultimo ao inicio de nossa primeira noite no motel bateu em nossa porta com uma pessima noticia: seus bem guardados U$700 haviam acabado de sumir de dentro da meia do fundo de sua mala!
o tal do arabe pouco se lixou ao que fomos reportar o furto. mandou ligar para a policia, e foi o que Daniel o fez. os policiais chegaram em poucos minutos, com caras duras e tranquilas. - "take it easy, young man..." quando Daniel explicava agitado.
na mesma noite, na verdade um pouco mais cedo, havia saido para comer uma pizza no nosso querido e adotado Popa Pizza - uma pizzaria fajuta que oferece pizzas e massas a precos que podiamos pagar, e que ficamos como melhores clientes por toda a semana - e quando voltei com Sao Fidelis e Thiago, avistamos uma menina caminhando no corredor em direcao a nossa porta. "onde voce estah indo?" perguntamos. e quando ela disse "tah todo mundo aqui" nossos olhos se arregalaram. havia simplesmente umas 20+ cabecas brasileiras dividindo o espaco de nosso quarto, sem nem mesmo a presenca de Leandro, que abriu a festa.
para quem me conhece, todo meu anseio pela ordem e organizacao nao e' nenhuma novidade, mas para aquele pessoal desconhecido, seria algo que conheceriam em alguns minutos. ficamos todos papeando entusiasmados. finalmente nos estabelecemos nos estadosunidos! ja haviamos ligado contando as boas novas aos papais e agora era a hora de conhecer esta nova familia e conversar e beber e... e logo me passou pela cabeca que nao estavamos mais no mundo faroeste brasileiro. estavamos na terra em que e' proibido bebidas alcoolicas na rua, ou menores de 21 anos em casinos ou em boites - apesar de maiores de 18 poderem estrear filmes pornograficos.
senti-me responsavel a infelizmente acabar com a barulheira, que imaginei que poderia nos arrumar problemas logo no primeiro dia. o arabe nao demorou muito a vir bater em nossa porta. "this is America!" - disse como se tivesse nascido aqui. e parece que fui o unico a levar a serio. numa subita onda de adrenalina, levantei no meio do quarto e falei a todos: " galera, acho que e' melhor a gente 'dispersar'".
os olhos estavam um pouco assustados. mas ate' eu estava. dane-se, fiz-o para nosso bem. e ate' que para minha surpresa deu certo. e o 'dispersar' se tornou uma palavra a ser ouvida diversas outras vezes na viagem. adorei.
o restante dos dias nao foram menos festeiros. o pessoal foi se conhecendo e as festas aconteciam cada vez num quarto. surgiam os boatos dos policiais chegando e cada um corria para seu aposento!
Atlantic City e' uma cidade feita de seus casinos. e' a Las Vegas do leste. aqui tem mais de 10 gigantescos casinos. a Boardwalk e' como o calcadao de Copacabana, mas aqui, ao inverso, o bonito e' a arquitetura e nao a beleza natural. no Pier Shops, o shopping-cais que sai do casino Caesars, marcamos uma de nossas paradas obrigatorias: a Apple Store, com toda sua beleza branca e computadores de ultima geracao que alegravam a vida de brasileiros sem facil acesso a internet.
antes da chegada dos 'paychecks' a economia foi extrema. comecando pelos nossos cafes da manha, que se resumiam num cereal de mel estranhasso que compramos numa promocao pague 1 leve 2 muito comum por aqui. e enquanto nos contentavamos com pouca comida e muito Popa Pizza, nos perguntavamos quando finalmente iriamos comecar a trabalhar. e demorou.
obviamente teve toda uma burocracia, ler papelada, assinar papelada e tal. mas as duas coisas que de longe mais enfureceram o pessoal foram o teste anti-drogas e a taxa da Casino Comission a qual nao haviamos sido avisados. para os segurancas o valor foi de $350! concordo contigo que foi um absurdo. e acabou deixando muita gente com menos grana do que pretendia, mas era algo irrevogavel.
o exame de drogas ja era bem sabido, e posso dizer que o pessoal se preparou. diversos sabiam ate' ha' quantos dias estavam sem um bom tapa. de toda os 70+ brasileiros que vieram, apenas um nao passou por causa de uma medicacao que vinha tomando, e portanto nao foi desclassificado, e outros dois, que nao conseguiram vencer o vicio e apelaram para uma tatica um tanto inusitada.
o exame nao era de sangue, e sim de cabelo. e pesquisando na internet, esses dois descobriram um tal produto que disfarcava as substancias toxicas que se mantinham no mesmo. foram a Nova York o comprar e lavaram suas cabecas freneticamente com o mesmo. a este ponto seus apelidos ja eram Shampoo e Condicionador.
uma pena. nao adiantou nada. um deles voltou a NY, para ficar por la'. acho que arrumou um novo emprego.
enquanto nao estavamos empregados, estavamos nos divertindo. e nossa primeira saida em grupo foi um tanto congestionada. eramos uns 50 na porta de um irish pub, tentando decidir como colocar para dentro os menores de 21 anos, que, acredite, aqui nao menores de idade. houve uma troca de passaportes e depois de muita sorte do seguranca nao checar as fotos, estavamos todos dentro. mas foi uma bagunca e novamenet, o povo dispersou. agora, serio, gente, vamos fazer a maioridade logo, ne? concordemos que e' muito melhor. =)
deixe-me frizar este problema um pouco mais: o pessoal menor de 21 anos nao pode entrar na area do casino, nem beber alcool, e nem entrar em boites, o que foi um grande problema para diversos dos brasileiros. agora, filmes pornos tudo bem, a idade e' 18.
tendo nosso teto provisorio e sempre que possivel adiantando nossa demorada empregacao, nosso proximo passo era fechar o pessoal que dividiria uma casa (e aluga'-la). o pessoal ja' estava praticamente definido. haviamos nos unido a outro grupo de adoraveis gordinhos: Gustavo, Marcelo, Raphael e Reinaldo, este ultimo que na verdade nao e' gordinho. ele tambem acabou preferindo deixar de lado o pessoal mais legal de Atlantic City para ir morar mais perto dos casinos, entao o trocamos pelo Walter. e com Geisa tambem em campo, so' faltava outro Daniel pousar para o pessoal da casa estar com seu time formado. e que time.
descolar a casa foi por um tempo tarefa do Fidelense. nao posso dizer que ele se esforcou pouco, mas sempre que o perguntavamos sobre esta a resposta era a mesma: "cara, esta' tudo certo. mas nada resolvido." se tornou o refrao diario da casa ate' fatalmente resolvermos.
nossa casa ate' pode ser longe, demora 40 minutos de meu casino, o mais longe. mas ela e' otima, super aconchegante. parece ate' uma casa de boneca, toda decorada com tematica praiana em todos seus 4 quartos. e nao e' por nada, mas nosso pessoal e' maneiro pra caramba. e acabou que, por azar, Reinaldo demorou mais de um mes para comecar a trabalhar, como manobrista, por causa de seu 'Social Security Number' (o CPF dos estadunidenses).
foi nesta epoca que comecei a ter as primeiras faltas de minha familia, que me afinetavam de vez enquando. me via como talvez o mais responsavel do grupo. alguns talvez chamem isso de chato, mas certas vezes acho que nasci sem este espirito irresponsavel. crianca serei sempre. mas hoje estou vivendo um resultado de minhas proprias escolhas, tendo que melhor do que nunca controlar o dinheiro em minhas maos, e o que comer, e onde morar, com quem, e a que horas acordar, lavar as roupas, lavar os pratos e por ai' vai. claro que nada esta' sendo visto como uma obrigacao, e sim como uma aventura. me preparei para isto. todas tarefas, estranhamente, tenho achado super interessantes. lavar roupa pra mim foi algo magico!
e com nossa casa formada, decidida e habitada, enterramos de vez nossos pe's por estas terras. segure firme, pois o navio desancorou!
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2 Comments:
PORRA ED, VC ESCREVE MUUUUUUITTTO!!!!!!!
mas tb escreve bem pra caralho
boa sorte ae, menino
=******
puta velho, que merda essas demoras hein. boa sorte ae pro-c
me traz um ps3?
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